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Archive for the ‘Catarina Monteiro’ Category

ANIMAIS UNIDOS

Era uma vez um gato chamado Plutão que vivia no jardim de uma vivenda branca e azul. Era grande, magro, ágil e forte. Tinha o pelo todo preto e os olhos eram azuis como o mar.

Os seus donos tinham três filhas: Sónia, Sofia e Sara.

A Sónia só queria jogar videojogos, comer e dormir. Não gostava de brincar com ninguém.

A Sara era toda “ai não me toques”! Era muito vaidosa. Todas as manhãs, antes de ir para a escola, passava lentamente a escova no cabelo negro que quase parecia carvão. Brincava com Barbies e conjuntos de moda.

Por seu lado, a Sofia era uma autêntica “maria rapaz”: jogava à bola, andava sempre em brincadeiras e lutas com os rapazes e era uma excelente aluna.

O Sr. Sousa (o pai) trabalhava num banco e a Dª. Carla (a mãe) era advogada. Na casa ainda viviam: a avó Joana, já reformada, o primo Tomé que era um ótimo aluno, a tia Rita que era contabilista, o tio Francisco que era polícia e a prima Ana que também estudava e tinha excelentes notas.

Esta família vivia muito feliz na casa, que tinha nas traseiras uma enorme lagoa que chegava até à entrada de uma gruta.

À noite, em vez de dormir, o Plutão saía do quarto de brincar das meninas (que não era utilizado pela Sofia porque ela gostava de brincar no jardim com o primo). Abria a janela com a pata e saía para a rua. Corria até às traseiras da casa e ia mirar-se na água da lagoa. Depois subia para a canoa que o pai das três meninas tinha comprado e remava até à gruta onde viviam o morcego Marte e a aranha Vénus, ambos seus grandes amigos.

A aranha era preta e tinha pintinhas vermelhas no abdómen. Marte era totalmente preto, com exceção dos olhos que eram brancos.

Plutão conversava com os dois amigos durante muito tempo. Ora, numa dessas noites, Plutão chegou lá e Vénus disse-lhe:

– Raptaram o Marte!

– Como assim? – perguntou Plutão um pouco assustado.

– Eu explico: vieram aqui dois homens (que eu não conhecia), foram à parte de trás da gruta onde estão os diamantes e arrancaram alguns. Para não os deixar ir embora, Marte atirou-se a eles, mas acabou por ser apanhado – explicou a aranha.

– Bem, tenho uma dona que sabe falar com os animais. Acho que vou falar com ela. Pode ser que ela me ajude a encontrar o Marte. Adeus – disse Plutão.

– Adeus! – respondeu a aranha mais aliviada.

E Plutão voltou para casa sem demora.

No dia seguinte, o Sr. Sousa chegou a casa com um cão, branco como a neve, dentro de um cesto. A Dª. Carla pegou-lhe logo ao colo e disse:

– Ai que gracinha! É um cão ou uma cadela?

– É uma cadela. Vai-se chamar Andrómeda. Todos de acordo? – perguntou o Sr. Sousa.

– Sim – respondeu a família.

Mal puseram a cadelita no chão, ela desatou a correr atrás do Plutão. Espantado, ele exclamou:

– Calma! Não quero fazer inimigos!

A cadela parou imediatamente de correr.

– Como te chamas? – perguntou ela.

– Chamo-me Plutão. Queres ser minha amiga?

– Claro! Que brinquedos há por aqui?

– Nenhuns. Mas, se quiseres, esta noite mostro-te um segredo.

– Está bem – respondeu ela intrigada.

Depois desta conversa, a Sara veio ter com eles, pegou no Plutão ao colo, levou-o para o quarto e enfeitou-o com lacinhos.

Entretanto, no jardim, a Sofia jogava futebol com o Tomé e com a Andrómeda e a Sónia jogava o décimo e último nível do jogo “ Profundidade 20000”. O Sr. Sousa tratava de um pequeno canteiro de flores e a avó, na cozinha, fazia uma tarte.

Quando se conseguiu “libertar”, Plutão tirou os lacinhos e foi ter com a Sofia.

– Dona, tenho um problema – disse ele.

– Então o que se passa? – perguntou a Sofia.

– Raptaram um amigo meu. Esta noite posso levar-te ao local do crime.

– Está bem, mas levamos a Andrómeda!

E nessa noite Plutão acordou a Sofia e a Andrómeda e foram até à lagoa. Saltaram para a canoa e remaram até à gruta.

– Vénus, Vénus! – exclamou Plutão.

A pequena aranha apareceu por detrás de uma rocha.

– Explica o crime à minha dona Sofia … – pediu Plutão.

O pequeno aracnídeo explicou tudo rapidamente e em poucas palavras.

– Bem, acho que a única maneira de resolvermos isto é fazermos expedições noturnas para ver se descobrimos alguma coisa – concluiu a Sofia. – Vamos começar já! Vá, todos na rua à procura de pistas!

Próximo da gruta encontraram um pau com sangue e mais à frente pegadas e um pneu de uma mota, furado.

– Muito bem, já encontrámos algumas pistas. Vou falar com o tio Francisco. Ele é polícia e tudo! Bem, até amanhã Vénus – disse a rapariga.

– Adeus. Obrigado pela ajuda – disse a aranha enquanto se deitava na sua cama de cristais polidos.

No dia seguinte, a Sofia pediu ao tio que analisasse os objetos que tinha achado. Ele assim fez.

Nessa tarde o Sr. Sousa regressou a casa com muitos e bons presentes que um vizinho que ia emigrar lhe ofereceu: um cão grande, um cachorro, uma ovelha e uma gata. Toda a família ficou radiante.

– Como é que se vai chamar o cão grande? – perguntou o pai.

– Xastan. – Respondeu a Sofia.

– Rolo de carne – disse o Tomé.

– Amorzinho – disse a Ana.

– Fufi – disse a Sara.

– Game – disse a Sónia de consola na mão.

– A Sofia teve as melhores notas e, por isso, ela escolhe o nome de todos os animais – disse o Sr. Sousa.

– É o Xastan! – insistiu ela.

– O cachorro vai-se chamar Salsicha, a gata vai ser a Estrela e a ovelha será a Moly! – exclamou a Sofia toda feliz.

A gatinha olhou para o Plutão e foi amor à primeira vista… Enfiaram-se num balde preto que estava no jardim e parecia não quererem mais parar de brincar.

Depois do jantar, Plutão e Sofia reuniram os restantes animais e foram até à gruta. Após algum tempo de espera, perceberam que dois jovens se aproximavam.

– Aí vêm eles! – gritou a Vénus. – Os ladrões!

Todos se esconderam.

Quando os jovens entraram na gruta, a Sofia deu-lhes pontapés, os cães morderam-nos, os gatos arranharam-nos, a ovelha marrou-lhes e a aranha picou-os. Depois, a Sofia conseguiu amarrá-los. Confirmaram que eram jovens e, olhando para fora da gruta, perceberam que tinham usado uma canoa para lá chegar.

Na canoa a Sofia encontrou o Marte amarrado. Soltou-o e foi avisar o tio que chamou reforços para prender os ladrões.

Nos dias que se seguiram a Sofia, acompanhada dos animais, participou em muitas entrevistas para a televisão, jornais e revistas. Com o dinheiro que recebeu, a família mandou construir um pequeno parque aquático na lagoa.

E aquela família viveu feliz durante muitos anos, tendo a Sofia e os animais ajudado a desvendar mais crimes que ocorreram na vizinhança.

Catarina Monteiro, 4.º ano

 

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OS TIGRES EM ÁFRICA

Era uma vez, numa selva asiática, um casal de tigres chamados Riscas e Gravata. Tinham cinco filhos. O mais velho, já adolescente, chamava-se Riscado e era bastante independente e bom lutador. O filho do meio era uma fémea chamada Safira. Era muito esperta e tinha o pelo mais macio da selva. O mais novo, com cinco meses, chamava-se Tigrado e tinha os olhos mais bonitos do continente. Os outros dois viviam com os tios.

Certo dia, enquanto Riscas foi caçar, Gravata ficou a tomar conta dos filhos que brincavam alegremente. Riscado e Safira lutavam para ver quem tinha mais força e o pequeno Tigrado corria atrás dos insetos. Passado algum tempo, chegou Riscas que arrastava um lombo de iaque. Safira reparou que o pai tinha feridas e perguntou-lhe:

– Pai, o iaque feriu-te?

– Não, mas encontrei o Rock – respondeu Riscas.

– Oh não! Onde o encontraste? – perguntou a Gravata.

– Junto ao rio Ganges. Estava a beber água e quando me viu disse:

– Olá tigre manso! Pronto para morrer?

Depois começámos a lutar, até que apareceu um iaque e eu deixei a luta e corri atrás dele.

– Esse maldito tigre – disse Riscado. – Quero matá-lo, esfolá-lo, acabar com ele!

– Não sejas assim mano – disse Safira que lambia as feridas do Riscas.

– Cuidado com o tigre – gritou Tigrado.

Ao longe, apareceu um tigre que corria como o vento. Gravata levantou-se e correu ao encontro dele.

– Não mãe! – bradou Riscado.

Mas, quando Gravata se aproximou do tigre, em vez de lutarem, lamberam-se e correram em direção à casa. Quando chegaram, Gravata disse:

– Não tenham medo. Esta é a minha irmã, a Bengala. Riscas, lembras-te de termos mandado a Tigresa e o Sandokan viver com ela durante algum tempo?

– Sim, claro, mas por falar nisso, onde estão eles? – perguntou o Riscas.

E logo três tigres apareceram correndo. O da frente tinha uma mancha negra à volta do olho direito. Os outros dois corriam lado a lado e um deles tinha uma pata preta.

Quando Riscas os viu permaneceu imóvel, com os olhos esbugalhados. O que eles tinham crescido! Após dois anos de separação, voltavam a encontrar-se. Chegados os três tigres, os dois que tinham manchas, gritaram em uníssono:

– Mãe, pai, manos!

Eram a Tigresa e o Sandokan.

– Ah! Tigresa! Sandokan! – exclamou Riscado.

– Aqueles tigres são meus irmãos? – perguntou o Tigrado.

– Sim, filho. Só que foram viver com os teus tios porque estavam doentes. E isso foi há dois anos – disse Gravata.

Porém, no meio da agitação havia um tigre que, quieto, ouvia os sons da selva: o Riscas. Mas o seu silêncio foi quebrado pelo rugido do tigre que vinha com Tigresa e Sandokan.

– Desculpem. É o meu filho. Está a treinar o rugido para impressionar a namorada – disse Bengala.

– Olá! Chamo-me Tailuk – disse o filho de Bangala.

De repente apareceu outro tigre. Chegou-se ao pé de Tailuk, lambeu-o e disse:

– Olá! Sou a Viola. Sou namorada do Tailuk. Os meus pais morreram. Por isso agora vivo com o meu namorado.

– A minha namorada está a dormir no nosso covil – disse Riscado.

E passaram o resto do dia a conversar, a rir e a brincar. À hora de jantar, quando todos iam começar a comer, saiu do covil um tigre fémea com olhos azuis, penetrantes.

– Oh! Olá Guitarra. Anda jantar, querida – disse o Riscado.

No fim da refeição, foram dormir, com exceção de dois deles: Riscas e Gravata.

– Porque é que tu ficaste tão silencioso quando os nossos filhos chegaram? – perguntou Gravata.

– Eu fiquei preocupado com o que se passou com o Rock. Ele é forte e feroz, ficou zangado comigo e cobiça o nosso covil. Tem todos os motivos para atacar e eu tenho medo que ele magoe as crianças – disse Riscas.

– Não te preocupes. Nós também somos fortes e o Riscado luta bem. Além disso a Bengala e o Tailuk sabem defender-se – disse Gravata. – Bem, entretanto vou dormir. Vigia bem o covil. Boa noite.

Quando acordou, Gravata encontrou Sandokan ferido e começou a rugir. Todos os outros tigres acordaram.

– De madrugada ouvi uns barulhos estranhos e vim cá fora. Mas vi o Rock a afiar as unhas. Eu ia perguntar-lhe o que estava a fazer, mas ele feriu-me e fugiu – disse Sandokan.

– Maldito! Eu sabia que isto ia acontecer! – rugiu Riscas.

– Borboleta! – exclamou Tigrado, começando a correr.

– Não! – gritou o resto da família em coro, que começou também a correr.

Quando chegaram a uma clareira, todos sentiram uma picada e desmaiaram. Eram homens da reserva natural africana que estavam encarregues de levar os animais para África, pois o rio Ganges ia transbordar.

Quando acordaram, encontravam-se na savana africana, mas sem o Sandokan.

– Mataram o meu filho! – exclamou a Gravata.

– Mataram o meu sobrinho! – rugiu Bengala.

Lamentaram-se e lamuriaram-se durante muito tempo, até que apareceu um tigre arranhado e com uma ligadura na pata esquerda.

– Sandokan! – gritou Tigresa correndo a ajudá-lo.

– Já sei onde estamos e porquê! – informou Sandokan. – Enquanto tratavam de mim, ouvi os homens dizer que o rio Ganges ia transbordar e que nós estamos em África. Aqui ninguém nos fará mal e regressaremos a casa assim que as cheias terminarem.

– Não estou convencido! – disse Riscas.

– Querido tenho uma coisa para te contar – disse Gravata.

– O que é? – perguntou ele.

– Estou grávida de oito meses e meio e vou ter duas crias! – respondeu Gravata.

Os olhos de Riscas ficaram brilhantes, tal como os dos seus filhos. Que felicidade!

– Parabéns mana! Mas vamos ter de arranjar um local para viver durante o tempo que estivermos aqui – disse Bengala.

– Ela tem razão. Vamos procurar um lugar para construir a casa – disse Guitarra.

E lá foram andando. A busca não durou muito. Quando chegaram a uma área onde havia um pequeno monte e, lá perto, um lago, acharam que era o sítio certo.

– Vamos ficar aqui. Temos água por perto e como não é um rio, não vai transbordar. Toca a escavar o monte! – disse o Riscas.

E todos os tigres desataram numa escavação frenética que demorou várias horas.

– Pronto. Está “finito”, como dizem os italianos! – exclamou Tigresa.

– Uau! Que grande covil! – exclamou admirado o pequeno Tigrado, que não tinha participado nas escavações.

– Bem, agora vou caçar. Riscado, vens comigo? – perguntou Riscas que estava cheio de fome.

– Claro que vou – disse Riscado.

Daí a pouco, escondido atrás de um tufo de erva seca, o Riscado exclamou:

– Ah! Como tenho saudades da Ásia!

– Quieto e calado! Cheira-me a carne! – disse Riscas que tinha o faro muito apurado.

Contornaram uma acácia e viram um monte de carne ensanguentada no meio das plantas secas.

– Bem, foi mais fácil do que eu pensava! – exclamou Riscas, satisfeito.

Quando chegaram ao covil arrastando a peça de carne, a família recebeu-os com grande contentamento pois todos estavam cheios de fome.

Passadas algumas semanas, nasceram os bebés de Gravata. Eram um macho e uma fémea e chamaram-lhes Diamante e Pandora.

Os tratadores da reserva, quando a progenitora não estava presente, davam-lhes leite em biberões e diziam:

– Que gracinha! São tão meiguinhos!

Quando as crias já tinham dois meses, numa sessão de tratamento à ferida na pata, que ainda lhe doía um pouco, Sandokan ouviu os homens dizer que no dia seguinte os tigres voltariam à Ásia pois as cheias já tinham terminado.

Mal acabou o tratamento, Sandokan correu para o covil e contou tudo à família, que ficou muito feliz por ir regressar à sua terra.

Na manhã do seguinte, os tratadores meteram os tigres numa jaula que amarraram a um helicóptero amarelo. Levantaram voo e os tigres cantaram:

– Vamos para a Ásia, onde é a nossa casa, lindo continente vamos rever…

E não se calaram até ao fim da viagem.

Quando chegaram à Ásia, próximo das margens do rio Ganges, libertaram-nos e eles correram em direção ao covil onde viviam, perto do qual viram o Rock morto, afogado pelas cheias.

– Ah, ah! Quem ri por último, ri melhor! – disse Riscas triunfante.

E todos viveram felizes para sempre.

Catarina Monteiro, 4.º ano

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Título: A VIAGEM DOS PLANETAS

Autor: TIGER OF THE SEAS

Certo dia, o Planeta Saturno disse ao Planeta Júpiter:

– Estou farto de ver as naves espaciais do Homem a passar para nos virem visitar. Eu quero ver o Planeta Terra bem de perto, falar com os seus habitantes e, talvez, fazer alguns amigos.

A Vénus teve logo que reclamar:

– Ai, e se partes um dos teus anéis de lixo espacial, gases e rochas? Se nós estamos aqui a ver as naves passar é porque fomos feitos para isso!

– Concordo com ela – disse o Neptuno. – E se tens dúvidas disso, vamos falar com o nosso rei, o Sol.

– Deixem o miúdo em paz! O meu maior sonho também é o dele. Por isso, se o Saturno for, eu também vou – disse Júpiter.

– Já que o meu marido Júpiter vai, eu também vou, mas contrariada! – chiou Vénus.

– Eu também vou, e de livre vontade! – disse Urano que acabara de sair de um dos quartos feito de nuvens.

– Vou telefonar a Mercúrio, a Plutão e a Vedna para saber se eles também querem vir! – disse o Saturno.

E, quando acabou os telefonemas, anunciou triunfante:

– Vêm todos!

Um pouco envergonhados, os Planetas que tinham dito que não iam, disseram em coro:

– Afinal também vamos!

– Bem, Mercúrio, Plutão e Vedna devem estar a chegar. Entretanto vamos construindo a nave – sugeriu Saturno muito prazenteiro.

E logo todos os Planetas (exceto Vénus, que foi limar as unhas de pó estelar) pegaram em berbequins, chaves de fendas, parafusos, silicone e mais materiais e começaram a construir a nave.

Tinham passado apenas alguns minutos, quando alguém tocou à porta. Jupíter foi abrir: eram os outros três Planetas e a Lua vinha com eles. Quando Saturno foi à porta para receber os amigos, viu os pequenitos mas profundos olhos azuis da Lua e ficou imediatamente apaixonado por ela.

– Sois uma beleza Dona Lua! – disse ele, estendendo-lhe a mão que ela rapidamente agarrou.

– Sentai-vos ao lado de Vénus – tornou Saturno, sempre galante.

– Oh, muito obrigada! – disse a Lua.

Ao ver esta cena, Jupiter disse aos amigos que acabavam de entrar:

– Apaixonou-se. Acontece. Vá, entrem e ajudem-nos a construir a nave.

Eles assim fizeram. Tanto trabalharam, que, à noite, mal se deitaram nos seus colchões de fragmentos de asteroide e poeira de estrelas, adormeceram de tão cansados que estavam.

Na madrugada do dia seguinte, Saturno foi ao quarto onde dormia a Lua. Em cima da mesa de cabeceira pôs uma caixinha com um bilhete onde se lia: “De Saturno para Lua. Com amor. Saturno” escrito com uma bonita letra arredondada.

Quando todos acordaram, foram tomar o pequeno almoço. Menos a lua, que ficou no quarto a ler o bilhete e a abrir um inesperado presente que estava dentro da caixinha. Era um anel em forma de estrela com uma luz amarela cintilante em cada ponta e uma luz vermelha muito brilhante no centro. Ela colocou-o imediatamente no dedo anelar e foi para a cozinha juntar-se aos outros. Saturno piscou-lhe os olhos várias vezes e ela ia-lhe mostrando o anel esboçando um enorme sorriso. Vedna, percebeu logo o que se passava, mas não contou a ninguém.

Após o pequeno almoço, Saturno disse:

– Amigos, a nave está quase pronta! Vamos acabá-la!

E todos os Planetas (com exceção da Lua e de Vénus) começaram a trabalhar afanosamente. Passadas três horas, tinham acabado. Então, todos entraram na nave que partiu a grande velocidade, deitando uma nuvem de fumo das cores do arco iris.

Passaram-se vários dias, durante os quais Saturno ofereceu mais presentes à Lua e a pediu em casamento. Claro que ela aceitou.

Quando chegaram ao local pretendido, a Terra contou-lhes que só poderiam falar com ela e não com os seus habitantes, porque eram grandes demais para falarem com eles sem os assustarem. Então, todos começaram a colocar questões:

– Terra, como são os seres que te habitam?

– Terra, é bom viver em ti?

– Terra, és gasosa ou terrestre?

– Terra, é incómodo ter vida?

– Calma! Um de cada vez. Os seres que me habitam são de várias espécies, milhões de espécies. São de natureza animal e vegetal e, de entre todos os animais, o Homem destacou-se e é a espécie dominante, porque é o mais inteligente. É bom viver em mim, porque sou o único Planeta com água. Sou terrestre e até é um pouco incómodo ter vida. Os seres fazem muita comichão e até me provocam algumas dores… Ao correrem sobre mim, os animais fazem-me muitas cócegas. Para extrair o petróleo do meu corpo, o Homem faz-me feridas profundas. Os barcos que o Homem constrói, ao navegarem sobre a parte do meu corpo que é mar, provocam-me borbulhas. Mas, apesar de tudo, gosto de ter todos os seres a viverem em mim – respondeu ela.

De repente, apareceu o cometa Hubley, o músico mais famoso do Espaço. Todos os Planetas correram a pedir-lhe um autógrafo.

– Cante uma música! – pediu a Terra.

– Sim, sobre estrelas! E dedicada à Lua – sugeriu Saturno, cujos anéis de rochedos rodaram mais do que nunca.

– Está bem. Aqui vai – disse o Hubley ao pegar na guitarra elétrica. – As estrelas brilham no escuro iluminando os Céus. A Lua ilumina a Terra, o Soooooooool dá-lhe a luz…

Depois, Hubley foi-se embora e Marte perguntou:

– Terra, vem viver connosco! Gostavas de estar numa casa de estrelas e raios de sol?

– Claro que vou convosco. São bons amigos.

Todos entraram na nave. Partiram suavemente deixando um rasto de fumo das cores do arco iris e regressaram a casa passados alguns dias.

Quando chegaram, o Saturno e a Lua casaram e o Marte e a Terra (que entretanto de tinham apaixonado durante a vigem) também casaram. A Terra estava mais linda do que nunca com um véu de nuvens e uma coroa de estrelas e a Lua cintilava com um véu de poeira espacial e uma coroa de pequenos meteoritos. Marte estava deslumbrante com um fato vermelho de luz solar e o Saturno tinha uma capa prateada que cobria todos os seus anéis.

E todos viveram felizes para sempre na casa de estrelas e raios de sol.

 

Catarina Monteiro, 4.º ano de escolaridade

 

 

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Um Dia no Campo

Num belo dia de férias, a Alice foi dar uma volta pelos campos que rodeavam a sua aldeia. Lá ela viu muitas flores multicolores e também imensas borboletas.

Quando chegou a uma encosta de xisto descobriu uma misteriosa gruta. Curiosa como era quis entrar, apesar de ter medo da imensa escuridão. Mal entrou, morcegos e aranhas começaram a aparecer por entre as pedras. De repente, irradiou uma luz do meio do escuro e a Alice deu um grito. Era o seu irmão João que, por acaso, naquela mesma manhã saíra para o campo tal como ela. Seguiram em frente e encontraram um lago. Aproveitaram, tomaram um banho e apanharam um peixe vermelho.

Voltaram para casa e puseram o peixinho num aquário que lá tinham guardado.

Por fim, foram sentar-se no sofá a ver desenhos animados e a comerem pipocas salgadas. Foi um dia inesquecível!

Catarina Monteiro, 3.º ano, 8 anos

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