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Archive for Abril, 2013

Na minha opinião, mudar o mundo é um conceito muito vago. Quando pensamos em mudar o mundo, podemos pensar em mudar o que conhecemos à nossa volta, mudar o país, mudar o “globo”. E, quando fazemos alguma boa ação, desencadeamos outra.  E isso é mudar o mundo.

Para o mudarmos podemos fazer um milhão de ações e, sempre que as concretizamos com sucesso, há mais uma estrela que brilha no céu. Podemos dar os livros de que já não precisamos, dar as roupas que já não nos servem, ajudar associações de caridade como casas de repouso ou de apoio social, ou ajudarmos alguém que precise definitivamente de apoio.

Pois essas são as pequenas coisas que podemos fazer individualmente para mudar o mundo à nossa volta. Mas, antes de fazermos tudo isto, temos de nos mentalizar que nós não somos apenas «um grão de areia numa praia»… Nós somos a praia toda. E devo admitir que consciencializei isso ao escrever este texto.

Se conseguirmos fazer isto tudo individualmente, imaginem o que podemos fazer em grupo: podemos tornar-nos, em vez de uma pequena praia, numa costa inteira e pôr tantas estrelas a brilhar quantas as necessárias para fazer a maior constelação do mundo. Isso, sim, é fazermos o que podemos para mudar o mundo.

Com simples palavras, gestos e atos, nós influenciamos tudo à nossa volta. Se usarmos esse facto para praticarmos o bem, o mundo não será o mesmo!

Por isso, mãos à obra! Vamos mudar o mundo!

Catarina Carapinha, 12 anos, 6.º ano de escolaridade, Colégio de Alfragide

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ANIMAIS UNIDOS

Era uma vez um gato chamado Plutão que vivia no jardim de uma vivenda branca e azul. Era grande, magro, ágil e forte. Tinha o pelo todo preto e os olhos eram azuis como o mar.

Os seus donos tinham três filhas: Sónia, Sofia e Sara.

A Sónia só queria jogar videojogos, comer e dormir. Não gostava de brincar com ninguém.

A Sara era toda “ai não me toques”! Era muito vaidosa. Todas as manhãs, antes de ir para a escola, passava lentamente a escova no cabelo negro que quase parecia carvão. Brincava com Barbies e conjuntos de moda.

Por seu lado, a Sofia era uma autêntica “maria rapaz”: jogava à bola, andava sempre em brincadeiras e lutas com os rapazes e era uma excelente aluna.

O Sr. Sousa (o pai) trabalhava num banco e a Dª. Carla (a mãe) era advogada. Na casa ainda viviam: a avó Joana, já reformada, o primo Tomé que era um ótimo aluno, a tia Rita que era contabilista, o tio Francisco que era polícia e a prima Ana que também estudava e tinha excelentes notas.

Esta família vivia muito feliz na casa, que tinha nas traseiras uma enorme lagoa que chegava até à entrada de uma gruta.

À noite, em vez de dormir, o Plutão saía do quarto de brincar das meninas (que não era utilizado pela Sofia porque ela gostava de brincar no jardim com o primo). Abria a janela com a pata e saía para a rua. Corria até às traseiras da casa e ia mirar-se na água da lagoa. Depois subia para a canoa que o pai das três meninas tinha comprado e remava até à gruta onde viviam o morcego Marte e a aranha Vénus, ambos seus grandes amigos.

A aranha era preta e tinha pintinhas vermelhas no abdómen. Marte era totalmente preto, com exceção dos olhos que eram brancos.

Plutão conversava com os dois amigos durante muito tempo. Ora, numa dessas noites, Plutão chegou lá e Vénus disse-lhe:

– Raptaram o Marte!

– Como assim? – perguntou Plutão um pouco assustado.

– Eu explico: vieram aqui dois homens (que eu não conhecia), foram à parte de trás da gruta onde estão os diamantes e arrancaram alguns. Para não os deixar ir embora, Marte atirou-se a eles, mas acabou por ser apanhado – explicou a aranha.

– Bem, tenho uma dona que sabe falar com os animais. Acho que vou falar com ela. Pode ser que ela me ajude a encontrar o Marte. Adeus – disse Plutão.

– Adeus! – respondeu a aranha mais aliviada.

E Plutão voltou para casa sem demora.

No dia seguinte, o Sr. Sousa chegou a casa com um cão, branco como a neve, dentro de um cesto. A Dª. Carla pegou-lhe logo ao colo e disse:

– Ai que gracinha! É um cão ou uma cadela?

– É uma cadela. Vai-se chamar Andrómeda. Todos de acordo? – perguntou o Sr. Sousa.

– Sim – respondeu a família.

Mal puseram a cadelita no chão, ela desatou a correr atrás do Plutão. Espantado, ele exclamou:

– Calma! Não quero fazer inimigos!

A cadela parou imediatamente de correr.

– Como te chamas? – perguntou ela.

– Chamo-me Plutão. Queres ser minha amiga?

– Claro! Que brinquedos há por aqui?

– Nenhuns. Mas, se quiseres, esta noite mostro-te um segredo.

– Está bem – respondeu ela intrigada.

Depois desta conversa, a Sara veio ter com eles, pegou no Plutão ao colo, levou-o para o quarto e enfeitou-o com lacinhos.

Entretanto, no jardim, a Sofia jogava futebol com o Tomé e com a Andrómeda e a Sónia jogava o décimo e último nível do jogo “ Profundidade 20000”. O Sr. Sousa tratava de um pequeno canteiro de flores e a avó, na cozinha, fazia uma tarte.

Quando se conseguiu “libertar”, Plutão tirou os lacinhos e foi ter com a Sofia.

– Dona, tenho um problema – disse ele.

– Então o que se passa? – perguntou a Sofia.

– Raptaram um amigo meu. Esta noite posso levar-te ao local do crime.

– Está bem, mas levamos a Andrómeda!

E nessa noite Plutão acordou a Sofia e a Andrómeda e foram até à lagoa. Saltaram para a canoa e remaram até à gruta.

– Vénus, Vénus! – exclamou Plutão.

A pequena aranha apareceu por detrás de uma rocha.

– Explica o crime à minha dona Sofia … – pediu Plutão.

O pequeno aracnídeo explicou tudo rapidamente e em poucas palavras.

– Bem, acho que a única maneira de resolvermos isto é fazermos expedições noturnas para ver se descobrimos alguma coisa – concluiu a Sofia. – Vamos começar já! Vá, todos na rua à procura de pistas!

Próximo da gruta encontraram um pau com sangue e mais à frente pegadas e um pneu de uma mota, furado.

– Muito bem, já encontrámos algumas pistas. Vou falar com o tio Francisco. Ele é polícia e tudo! Bem, até amanhã Vénus – disse a rapariga.

– Adeus. Obrigado pela ajuda – disse a aranha enquanto se deitava na sua cama de cristais polidos.

No dia seguinte, a Sofia pediu ao tio que analisasse os objetos que tinha achado. Ele assim fez.

Nessa tarde o Sr. Sousa regressou a casa com muitos e bons presentes que um vizinho que ia emigrar lhe ofereceu: um cão grande, um cachorro, uma ovelha e uma gata. Toda a família ficou radiante.

– Como é que se vai chamar o cão grande? – perguntou o pai.

– Xastan. – Respondeu a Sofia.

– Rolo de carne – disse o Tomé.

– Amorzinho – disse a Ana.

– Fufi – disse a Sara.

– Game – disse a Sónia de consola na mão.

– A Sofia teve as melhores notas e, por isso, ela escolhe o nome de todos os animais – disse o Sr. Sousa.

– É o Xastan! – insistiu ela.

– O cachorro vai-se chamar Salsicha, a gata vai ser a Estrela e a ovelha será a Moly! – exclamou a Sofia toda feliz.

A gatinha olhou para o Plutão e foi amor à primeira vista… Enfiaram-se num balde preto que estava no jardim e parecia não quererem mais parar de brincar.

Depois do jantar, Plutão e Sofia reuniram os restantes animais e foram até à gruta. Após algum tempo de espera, perceberam que dois jovens se aproximavam.

– Aí vêm eles! – gritou a Vénus. – Os ladrões!

Todos se esconderam.

Quando os jovens entraram na gruta, a Sofia deu-lhes pontapés, os cães morderam-nos, os gatos arranharam-nos, a ovelha marrou-lhes e a aranha picou-os. Depois, a Sofia conseguiu amarrá-los. Confirmaram que eram jovens e, olhando para fora da gruta, perceberam que tinham usado uma canoa para lá chegar.

Na canoa a Sofia encontrou o Marte amarrado. Soltou-o e foi avisar o tio que chamou reforços para prender os ladrões.

Nos dias que se seguiram a Sofia, acompanhada dos animais, participou em muitas entrevistas para a televisão, jornais e revistas. Com o dinheiro que recebeu, a família mandou construir um pequeno parque aquático na lagoa.

E aquela família viveu feliz durante muitos anos, tendo a Sofia e os animais ajudado a desvendar mais crimes que ocorreram na vizinhança.

Catarina Monteiro, 4.º ano

 

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OS TIGRES EM ÁFRICA

Era uma vez, numa selva asiática, um casal de tigres chamados Riscas e Gravata. Tinham cinco filhos. O mais velho, já adolescente, chamava-se Riscado e era bastante independente e bom lutador. O filho do meio era uma fémea chamada Safira. Era muito esperta e tinha o pelo mais macio da selva. O mais novo, com cinco meses, chamava-se Tigrado e tinha os olhos mais bonitos do continente. Os outros dois viviam com os tios.

Certo dia, enquanto Riscas foi caçar, Gravata ficou a tomar conta dos filhos que brincavam alegremente. Riscado e Safira lutavam para ver quem tinha mais força e o pequeno Tigrado corria atrás dos insetos. Passado algum tempo, chegou Riscas que arrastava um lombo de iaque. Safira reparou que o pai tinha feridas e perguntou-lhe:

– Pai, o iaque feriu-te?

– Não, mas encontrei o Rock – respondeu Riscas.

– Oh não! Onde o encontraste? – perguntou a Gravata.

– Junto ao rio Ganges. Estava a beber água e quando me viu disse:

– Olá tigre manso! Pronto para morrer?

Depois começámos a lutar, até que apareceu um iaque e eu deixei a luta e corri atrás dele.

– Esse maldito tigre – disse Riscado. – Quero matá-lo, esfolá-lo, acabar com ele!

– Não sejas assim mano – disse Safira que lambia as feridas do Riscas.

– Cuidado com o tigre – gritou Tigrado.

Ao longe, apareceu um tigre que corria como o vento. Gravata levantou-se e correu ao encontro dele.

– Não mãe! – bradou Riscado.

Mas, quando Gravata se aproximou do tigre, em vez de lutarem, lamberam-se e correram em direção à casa. Quando chegaram, Gravata disse:

– Não tenham medo. Esta é a minha irmã, a Bengala. Riscas, lembras-te de termos mandado a Tigresa e o Sandokan viver com ela durante algum tempo?

– Sim, claro, mas por falar nisso, onde estão eles? – perguntou o Riscas.

E logo três tigres apareceram correndo. O da frente tinha uma mancha negra à volta do olho direito. Os outros dois corriam lado a lado e um deles tinha uma pata preta.

Quando Riscas os viu permaneceu imóvel, com os olhos esbugalhados. O que eles tinham crescido! Após dois anos de separação, voltavam a encontrar-se. Chegados os três tigres, os dois que tinham manchas, gritaram em uníssono:

– Mãe, pai, manos!

Eram a Tigresa e o Sandokan.

– Ah! Tigresa! Sandokan! – exclamou Riscado.

– Aqueles tigres são meus irmãos? – perguntou o Tigrado.

– Sim, filho. Só que foram viver com os teus tios porque estavam doentes. E isso foi há dois anos – disse Gravata.

Porém, no meio da agitação havia um tigre que, quieto, ouvia os sons da selva: o Riscas. Mas o seu silêncio foi quebrado pelo rugido do tigre que vinha com Tigresa e Sandokan.

– Desculpem. É o meu filho. Está a treinar o rugido para impressionar a namorada – disse Bengala.

– Olá! Chamo-me Tailuk – disse o filho de Bangala.

De repente apareceu outro tigre. Chegou-se ao pé de Tailuk, lambeu-o e disse:

– Olá! Sou a Viola. Sou namorada do Tailuk. Os meus pais morreram. Por isso agora vivo com o meu namorado.

– A minha namorada está a dormir no nosso covil – disse Riscado.

E passaram o resto do dia a conversar, a rir e a brincar. À hora de jantar, quando todos iam começar a comer, saiu do covil um tigre fémea com olhos azuis, penetrantes.

– Oh! Olá Guitarra. Anda jantar, querida – disse o Riscado.

No fim da refeição, foram dormir, com exceção de dois deles: Riscas e Gravata.

– Porque é que tu ficaste tão silencioso quando os nossos filhos chegaram? – perguntou Gravata.

– Eu fiquei preocupado com o que se passou com o Rock. Ele é forte e feroz, ficou zangado comigo e cobiça o nosso covil. Tem todos os motivos para atacar e eu tenho medo que ele magoe as crianças – disse Riscas.

– Não te preocupes. Nós também somos fortes e o Riscado luta bem. Além disso a Bengala e o Tailuk sabem defender-se – disse Gravata. – Bem, entretanto vou dormir. Vigia bem o covil. Boa noite.

Quando acordou, Gravata encontrou Sandokan ferido e começou a rugir. Todos os outros tigres acordaram.

– De madrugada ouvi uns barulhos estranhos e vim cá fora. Mas vi o Rock a afiar as unhas. Eu ia perguntar-lhe o que estava a fazer, mas ele feriu-me e fugiu – disse Sandokan.

– Maldito! Eu sabia que isto ia acontecer! – rugiu Riscas.

– Borboleta! – exclamou Tigrado, começando a correr.

– Não! – gritou o resto da família em coro, que começou também a correr.

Quando chegaram a uma clareira, todos sentiram uma picada e desmaiaram. Eram homens da reserva natural africana que estavam encarregues de levar os animais para África, pois o rio Ganges ia transbordar.

Quando acordaram, encontravam-se na savana africana, mas sem o Sandokan.

– Mataram o meu filho! – exclamou a Gravata.

– Mataram o meu sobrinho! – rugiu Bengala.

Lamentaram-se e lamuriaram-se durante muito tempo, até que apareceu um tigre arranhado e com uma ligadura na pata esquerda.

– Sandokan! – gritou Tigresa correndo a ajudá-lo.

– Já sei onde estamos e porquê! – informou Sandokan. – Enquanto tratavam de mim, ouvi os homens dizer que o rio Ganges ia transbordar e que nós estamos em África. Aqui ninguém nos fará mal e regressaremos a casa assim que as cheias terminarem.

– Não estou convencido! – disse Riscas.

– Querido tenho uma coisa para te contar – disse Gravata.

– O que é? – perguntou ele.

– Estou grávida de oito meses e meio e vou ter duas crias! – respondeu Gravata.

Os olhos de Riscas ficaram brilhantes, tal como os dos seus filhos. Que felicidade!

– Parabéns mana! Mas vamos ter de arranjar um local para viver durante o tempo que estivermos aqui – disse Bengala.

– Ela tem razão. Vamos procurar um lugar para construir a casa – disse Guitarra.

E lá foram andando. A busca não durou muito. Quando chegaram a uma área onde havia um pequeno monte e, lá perto, um lago, acharam que era o sítio certo.

– Vamos ficar aqui. Temos água por perto e como não é um rio, não vai transbordar. Toca a escavar o monte! – disse o Riscas.

E todos os tigres desataram numa escavação frenética que demorou várias horas.

– Pronto. Está “finito”, como dizem os italianos! – exclamou Tigresa.

– Uau! Que grande covil! – exclamou admirado o pequeno Tigrado, que não tinha participado nas escavações.

– Bem, agora vou caçar. Riscado, vens comigo? – perguntou Riscas que estava cheio de fome.

– Claro que vou – disse Riscado.

Daí a pouco, escondido atrás de um tufo de erva seca, o Riscado exclamou:

– Ah! Como tenho saudades da Ásia!

– Quieto e calado! Cheira-me a carne! – disse Riscas que tinha o faro muito apurado.

Contornaram uma acácia e viram um monte de carne ensanguentada no meio das plantas secas.

– Bem, foi mais fácil do que eu pensava! – exclamou Riscas, satisfeito.

Quando chegaram ao covil arrastando a peça de carne, a família recebeu-os com grande contentamento pois todos estavam cheios de fome.

Passadas algumas semanas, nasceram os bebés de Gravata. Eram um macho e uma fémea e chamaram-lhes Diamante e Pandora.

Os tratadores da reserva, quando a progenitora não estava presente, davam-lhes leite em biberões e diziam:

– Que gracinha! São tão meiguinhos!

Quando as crias já tinham dois meses, numa sessão de tratamento à ferida na pata, que ainda lhe doía um pouco, Sandokan ouviu os homens dizer que no dia seguinte os tigres voltariam à Ásia pois as cheias já tinham terminado.

Mal acabou o tratamento, Sandokan correu para o covil e contou tudo à família, que ficou muito feliz por ir regressar à sua terra.

Na manhã do seguinte, os tratadores meteram os tigres numa jaula que amarraram a um helicóptero amarelo. Levantaram voo e os tigres cantaram:

– Vamos para a Ásia, onde é a nossa casa, lindo continente vamos rever…

E não se calaram até ao fim da viagem.

Quando chegaram à Ásia, próximo das margens do rio Ganges, libertaram-nos e eles correram em direção ao covil onde viviam, perto do qual viram o Rock morto, afogado pelas cheias.

– Ah, ah! Quem ri por último, ri melhor! – disse Riscas triunfante.

E todos viveram felizes para sempre.

Catarina Monteiro, 4.º ano

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O livro da magia

 

por Jaquinzinho das Neves

 

Era um sábado frio e enublado, tudo para ser desagradável. Miguel, um menino de onze anos, alto, magro e louro passeava pela feira popular de Lisboa. Entre muitas barracas, umas mais animadas que outras, ele procurava apenas uma, mas que se localizava nos confins da feira. Ainda tinha muito para percorrer.

Depois de muito caminhar, encontrou a barraca que tanto desejava encontrar. Tinha um grande letreiro de madeira onde se lia « Os Livros do Eduardo ». Era uma barraca com um aspeto organizado e misterioso, pois Eduardo vendia livros com feitiços. Havia vários livros, todos com capa de couro, empoeirados e com aquele cheiro antigo que Miguel tanto apreciava. Nas suas páginas macias,  liam-se feitiços magníficos que poucos conheciam. Havia livros para todos os gostos. Como ficar mais bonito, como conseguir voar, ou até mesmo como passar de um momento para o outro, de motivo de chacota para criança mais famosa da escola.

Enquanto passeava os olhos pela banca, encontrou o livro que tanto procurara. Chamava-se « O Mundo da Magia ». Era um livro com feitiços que relatavam como se poderia viajar  pelo tempo ou até mesmo pelo grande, misterioso e perigoso Universo. Era o livro excelente para Miguel. Tudo o que há  sobre dinossauros, ele também conhece. Agora o que ele queria mesmo, era viajar no tempo até à época dos dinossauros para os conhecer, não por imagens, mas sim pelo contacto direto, mas sem exagero , pois pode-se tornar perigoso! Miguel também desejava viajar pelo Universo, graças a uma trilogia que relata a vida de um menino que tem uns pais ecológicos, mas que tem uns vizinhos que possuem o computador mais inteligente do mundo, o Cosmos. Como eles são amigos, têm todos grandes aventuras pelo Universo. Como esses três livros relatam grandes peripécias no Universo ele ficou apaixonado e gostaria de ter as mesmas experiências.

Miguel estava bastante contente por ter conseguido encontrar aquele livro por que tanto procurara. Quando ia perguntar quanto custava o livro, Miguel achou Eduardo a pior pessoa existente à face da Terra. Até o achou pior que o rufião lá da escola, o Vítor, que lhe batia por tudo e por nada. Eduardo informou-o que o livro já estava reservado para outro comprador. Miguel, como queria tanto aquele livro, decidiu que iria ficar ali à espera daquela pessoa intrometida para lhe tentar comprar o livro pelo preço que desejasse. Como esse comprador nunca mais chegava, dirigiu-se, cabisbaixo, para a paragem de autocarro. Já estava prestes a chegar, quando o autocarro arrancou, deixando-o ali sozinho, a maldizer a sua pouca sorte: comentou para si mesmo que aquele era o seu dia de azar.  Teria de percorrer um longo caminho até casa. Não seria a primeira vez que iria fazer esse percurso, mas naquele sábado que até ameaçava chuva, não lhe apetecia nada. Pior que aquele dia era impossível! Quando chegou a casa, estava muito triste. Foi tomar um banho bem quentinho e a seguir foi ver programa do National Geographic, que naquele dia passava as descobertas mais recentes do Universo. Assim pelo menos, não pensava tanto no sucedido na feira.

Mal o programa acabou Miguel foi para o seu quarto para jogar computador, quando reparou num embrulho que estava em cima da sua secretária. Por cima, havia um bilhete a dizer que era da sua mãe. Abriu-o e viu que era aquele livro que tinha encontrado na feira. Nesse momento, a sua opinião sobre aquele comprador que ele não conhecia, passou de pior pessoa que ele já tinha ouvido falar, para a melhor pessoa que ele tinha conhecido. Fartou-se de agradecer e gritou bem alto, de alegria. A mãe que ouviu a barulheira, depressa entrou no quarto do Miguel. Ela, que conhecia o sonho do seu filho desde sempre, disse para começar a experimentar os feitiços. Sem hesitar, o Miguel meteu mãos à obra. O primeiro que  experimentou, fazia com que ele viajasse para a época dos dinossauros. Ele seguiu os passos um a um, mas sem resultado. Que desilusão!

Mas cuidado! Do livro, começou a sair um papel amarelado, onde letras pequeninas e encavalitadas informavam que aquele livro era falso, não passava de uma imitação do original. Os verdadeiros feitiços estavam num livro guardado numa biblioteca escondida no castelo de Molinstart. Também tinha um « mapa do tesouro » com a localização do livro tão desejado.

Miguel, e a sua mãe que se chama Ana, começaram a fazer as malas. Iam partir à procura do tesouro! Agora é que a verdadeira aventura arrancava.

Foram até ao aeroporto de Lisboa e apanharam o avião para o Canadá, que, de acordo com o mapa, era onde se localizava o tal castelo. A viagem parecia que não tinha fim. Foram hooooras! Miguel ainda tentou adormecer, mas a excitação era tanta, que nem era capaz de ficar quieto na sua cadeira. Ao seu lado, a mãe sempre foi dormitando. Claro, a aventura não era dela!

Quando lá chegaram, foram logo alugar um quarto num hotel não muito caro, na cidade de Toronto, onde se localizava o castelo. Apesar do entusiasmo, decidiram descansar para se prepararem para o dia seguinte, que parecia prometer.

Na manhã seguinte, depois de tomarem o pequeno almoço, foram alugar um carro. Partiram logo para o castelo de Molinstart. A viagem não durou muito, pois localizava-se relativamente perto da cidade de Toronto. A viagem foi pacifica, mas quando estavam a chegar ao castelo, um grito estridente ecoou. Miguel estava pálido. A mãe, travou bruscamente. Miguel murmurou umas palavras sem nexo, repetindo insistentemente: fan-tas-ma, fan-tas-ma, enquanto apontava para fora do carro. Ana,recuperando do susto deu uma gargalhada e disse que isso não era possível. Retomaram a viagem, e quando chegaram ao castelo, viram que estava abandonado. Miguel estava mesmo com muito medo, mas como queria tanto ver o verdadeiro livro, « foi em frente ». Por muito incrível que pareça, o mapa que tinha a localização do castelo de Molinstart, começou a mudar de imagem e apareceu a planta do castelo. Mostrava precisamente o local do livro.

Quando passaram os portões do castelo, viram um enorme jardim que se estendia até às grandes portas de ferro que guardavam o grande castelo, que parecia abandonado e assombrado. Quando entraram no castelo, ambos sentiram um calafrio. Neste momento, a Ana achou aceitável a ideia de fantasmas. Ouviram o ranger do soalho do andar de cima e foram para lá a correr, para ver se encontravam alguém que lhes pudesse indicar o caminho para a biblioteca do castelo. Quando chegaram lá acima, ouviram uma porta a ranger. Esse barulho vinha de uma divisão, não muito distante. Filho e mãe não precisaram de trocar palavras. Fora ambos a correr para esse quarto. Ana, que foi a primeira a chega. Pareceu-lhe ver uma estante a mexer-se. Comentou com Miguel que devia haver ali uma passagem secreta. Não pensaram duas vezes e procuraram todo o tipo de mecanismos que pudessem desvendar o segredo daquele ranger, que tanto lhes despertava a curiosidade. Acabaram por não encontrar nada, então, Miguel teve a ideia de tentarem empurrar a estante, pois isso talvez ativasse o mecanismo automaticamente. Bem o pensaram, melhor o fizeram. Empurraram a estante em todos os sentidos e com todas as suas forças. Não demorou muito até a estante começar a deslizar, deixando uma entrada visível.

Através daquela passagem secreta, observaram uma grande biblioteca que parecia ter muitos livros portadores de feitiços. De um momento para o outro, viram um vulto mexer-se. Foram ter com ele e perguntaram-lhe quem era. Ele disse que era o guardião daquele castelo aparentemente abandonado. Então, aquele misterioso vulto perguntou-lhes quem eram, o que queriam e porque foram até ali. Contaram a história de uma ponta à outra com o máximo de pormenores, para ver se os deixavam sair daquele sítio com o livro que Miguel tanto desejava possuir. Miguel transmitiu o seu desejo àquela sombra misteriosa.

De repente, sentiram-se inseguros. Uma respiração ofegante estava cada vez mais perto. O  vulto começou a ganhar contornos cada vez mais definidos. Viram um braço a sair de uma  capa e na mão, estava um objeto. Cada vez mais, aquela respiração ofegante era mais audível. Um movimento brusco, fez Miguel fechar os olhos de terror. Quando ganhou coragem para os abrir, viu que debaixo daquela capa se escondia um homem idoso, que lhe estendia o livro que ele tanto procurara. O senhor afirmou que o deixava levar com uma condição. Que Miguel nunca revelasse  o segredo daquele castelo. Miguel jurou cumprir a promessa. Foi aí que ficou esclarecido o mistério do  «fantasma » que tanto assustara Miguel. O senhor criou-o para afastar as pessoas do seu castelo.

Miguel foi-se embora, feliz e contente da vida, com a mãe sem precisar do carro. Como tinham sido as primeiras pessoas a descobrir aquela biblioteca, o dono de Molinstart ofereceu-lhes outro livro, que lhes permitia viajar dum lado para o outro com a maior rapidez possível. Chegaram, por isso, a Lisboa enquanto o Diabo esfrega o olho.

Foi graças à sua coragem e esforço, que Miguel, se tornou o menino mais famoso do mundo, pois tinha o livro que muitos queriam ter, mas que só ele possuía. Também ficou rico por colaborar bastante com agências espaciais como a NASA ou a ESA, ou por ajudar nas pesquisas dos paleontólogos com os Dinossauros.

 

João da Silva Cruz, 6.º ano de escolaridade

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Título: A VIAGEM DOS PLANETAS

Autor: TIGER OF THE SEAS

Certo dia, o Planeta Saturno disse ao Planeta Júpiter:

– Estou farto de ver as naves espaciais do Homem a passar para nos virem visitar. Eu quero ver o Planeta Terra bem de perto, falar com os seus habitantes e, talvez, fazer alguns amigos.

A Vénus teve logo que reclamar:

– Ai, e se partes um dos teus anéis de lixo espacial, gases e rochas? Se nós estamos aqui a ver as naves passar é porque fomos feitos para isso!

– Concordo com ela – disse o Neptuno. – E se tens dúvidas disso, vamos falar com o nosso rei, o Sol.

– Deixem o miúdo em paz! O meu maior sonho também é o dele. Por isso, se o Saturno for, eu também vou – disse Júpiter.

– Já que o meu marido Júpiter vai, eu também vou, mas contrariada! – chiou Vénus.

– Eu também vou, e de livre vontade! – disse Urano que acabara de sair de um dos quartos feito de nuvens.

– Vou telefonar a Mercúrio, a Plutão e a Vedna para saber se eles também querem vir! – disse o Saturno.

E, quando acabou os telefonemas, anunciou triunfante:

– Vêm todos!

Um pouco envergonhados, os Planetas que tinham dito que não iam, disseram em coro:

– Afinal também vamos!

– Bem, Mercúrio, Plutão e Vedna devem estar a chegar. Entretanto vamos construindo a nave – sugeriu Saturno muito prazenteiro.

E logo todos os Planetas (exceto Vénus, que foi limar as unhas de pó estelar) pegaram em berbequins, chaves de fendas, parafusos, silicone e mais materiais e começaram a construir a nave.

Tinham passado apenas alguns minutos, quando alguém tocou à porta. Jupíter foi abrir: eram os outros três Planetas e a Lua vinha com eles. Quando Saturno foi à porta para receber os amigos, viu os pequenitos mas profundos olhos azuis da Lua e ficou imediatamente apaixonado por ela.

– Sois uma beleza Dona Lua! – disse ele, estendendo-lhe a mão que ela rapidamente agarrou.

– Sentai-vos ao lado de Vénus – tornou Saturno, sempre galante.

– Oh, muito obrigada! – disse a Lua.

Ao ver esta cena, Jupiter disse aos amigos que acabavam de entrar:

– Apaixonou-se. Acontece. Vá, entrem e ajudem-nos a construir a nave.

Eles assim fizeram. Tanto trabalharam, que, à noite, mal se deitaram nos seus colchões de fragmentos de asteroide e poeira de estrelas, adormeceram de tão cansados que estavam.

Na madrugada do dia seguinte, Saturno foi ao quarto onde dormia a Lua. Em cima da mesa de cabeceira pôs uma caixinha com um bilhete onde se lia: “De Saturno para Lua. Com amor. Saturno” escrito com uma bonita letra arredondada.

Quando todos acordaram, foram tomar o pequeno almoço. Menos a lua, que ficou no quarto a ler o bilhete e a abrir um inesperado presente que estava dentro da caixinha. Era um anel em forma de estrela com uma luz amarela cintilante em cada ponta e uma luz vermelha muito brilhante no centro. Ela colocou-o imediatamente no dedo anelar e foi para a cozinha juntar-se aos outros. Saturno piscou-lhe os olhos várias vezes e ela ia-lhe mostrando o anel esboçando um enorme sorriso. Vedna, percebeu logo o que se passava, mas não contou a ninguém.

Após o pequeno almoço, Saturno disse:

– Amigos, a nave está quase pronta! Vamos acabá-la!

E todos os Planetas (com exceção da Lua e de Vénus) começaram a trabalhar afanosamente. Passadas três horas, tinham acabado. Então, todos entraram na nave que partiu a grande velocidade, deitando uma nuvem de fumo das cores do arco iris.

Passaram-se vários dias, durante os quais Saturno ofereceu mais presentes à Lua e a pediu em casamento. Claro que ela aceitou.

Quando chegaram ao local pretendido, a Terra contou-lhes que só poderiam falar com ela e não com os seus habitantes, porque eram grandes demais para falarem com eles sem os assustarem. Então, todos começaram a colocar questões:

– Terra, como são os seres que te habitam?

– Terra, é bom viver em ti?

– Terra, és gasosa ou terrestre?

– Terra, é incómodo ter vida?

– Calma! Um de cada vez. Os seres que me habitam são de várias espécies, milhões de espécies. São de natureza animal e vegetal e, de entre todos os animais, o Homem destacou-se e é a espécie dominante, porque é o mais inteligente. É bom viver em mim, porque sou o único Planeta com água. Sou terrestre e até é um pouco incómodo ter vida. Os seres fazem muita comichão e até me provocam algumas dores… Ao correrem sobre mim, os animais fazem-me muitas cócegas. Para extrair o petróleo do meu corpo, o Homem faz-me feridas profundas. Os barcos que o Homem constrói, ao navegarem sobre a parte do meu corpo que é mar, provocam-me borbulhas. Mas, apesar de tudo, gosto de ter todos os seres a viverem em mim – respondeu ela.

De repente, apareceu o cometa Hubley, o músico mais famoso do Espaço. Todos os Planetas correram a pedir-lhe um autógrafo.

– Cante uma música! – pediu a Terra.

– Sim, sobre estrelas! E dedicada à Lua – sugeriu Saturno, cujos anéis de rochedos rodaram mais do que nunca.

– Está bem. Aqui vai – disse o Hubley ao pegar na guitarra elétrica. – As estrelas brilham no escuro iluminando os Céus. A Lua ilumina a Terra, o Soooooooool dá-lhe a luz…

Depois, Hubley foi-se embora e Marte perguntou:

– Terra, vem viver connosco! Gostavas de estar numa casa de estrelas e raios de sol?

– Claro que vou convosco. São bons amigos.

Todos entraram na nave. Partiram suavemente deixando um rasto de fumo das cores do arco iris e regressaram a casa passados alguns dias.

Quando chegaram, o Saturno e a Lua casaram e o Marte e a Terra (que entretanto de tinham apaixonado durante a vigem) também casaram. A Terra estava mais linda do que nunca com um véu de nuvens e uma coroa de estrelas e a Lua cintilava com um véu de poeira espacial e uma coroa de pequenos meteoritos. Marte estava deslumbrante com um fato vermelho de luz solar e o Saturno tinha uma capa prateada que cobria todos os seus anéis.

E todos viveram felizes para sempre na casa de estrelas e raios de sol.

 

Catarina Monteiro, 4.º ano de escolaridade

 

 

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O Vulcão Adormecido

Olá, eu sou uma chita que mora numa savana africana. Dessa savana consigo contemplar o monte Kilimanjaro que não não é, nada mais nada menos, que um vulcão adormecido.

Este enorme vulcão, é o único ponto de África que tem neve. A sua altura são uns impressionantes 5891,8 metros.

Ontem, quando estava a correr atrás de um jipe ouvi dizer que 80% das neves do vulcão já derreteram e se continuarem a derreter a esta velocidade fenomenal, em 2020, já não vai haver neve no Kilimanjaro.

Como estavam enganados os meus antepassados! Eles chamavam ao vulcão «Monte das Neves Eternas ». Houve uma vez em que os meus pais me contaram que foram lá acima e viram um leopardo congelado.

Há uma coisa que eles já não chegaram a saber. Em 1973 o monte Kilimanjaro foi classificado como parque nacional.

Este vulcão é fabuloso, mas eu gostaria de o ver entrar em erupção. Afinal de contas, não é um vulcão? Não devia cuspir lava e cinzas? É que, nem eu, nem os meus antepassados, alguma vez vimos uma erupção do Kilimanjaro, pois a última foi há cerca de cem mil anos!!!

João Cruz, 6.º ano

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