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Archive for Janeiro, 2012

O Pássaro e a Menina

A brisa estava mais fresca do que o costume. Talvez tivesse a ver com as horas a que o meu bando sobrevoava as terras frias, talvez fosse dos ventos do norte. Talvez. Apenas sabia que o meu destino estava traçado com a minha partida da Dinamarca, onde o frio era demasiado para nós, andorinhas, sobrevivermos. Íamos viajar rumo ao sul, onde os ventos eram quentes, as paisagens desertas, os animais eram amigáveis e as pessoas inofensivas. Vamos deixar o frio, a neve, e as paisagens envoltas de névoa.

No dia seguinte pela aurora fresca, já estaríamos em África, desfrutando do calor e da comida.

Esta era a minha primeira emigração, visto que a localidade onde eu vivia tinha muitos becos e cantinhos quentes e húmidos, onde andorinhas pequenas como eu conseguiam passar o inverno, visto que praticamente ninguém ia lá.

Porém, eu tinha crescido, e os cantinhos onde eu ainda cabia antes, começaram a diminuir, até já não haver nenhum suficientemente grande e quente para mim. Estava na hora de deixar o meu doce lar de criança e começar uma nova família.

Pela manhãzinha, começámos a avistar a silhueta das árvores, depois a savana, e, cada vez mais perto, os animais e as aldeiazinhas cheias de pessoas. Pousámos numa pequena árvore perto de uma aldeiazinha, e, de tão cansados que estávamos, caímos num sono profundo durante longas horas.

Ao despertar, os meus companheiros de viagem foram procurar comida e explorar as redondezas, mas eu preferi ir conhecer a aldeiazinha.

De todas as casas que vi, uma chamou-me a atenção, não sei bem porquê. Era modesta e pobre como todas as outras, só que esta estava rodeada de pinturas e desenhos infantis, de mãos, bonecos, casinhas, animais… tudo em volta da casa. Como gostei tanto da casa, decidi pousar um pouco na sombra fresca do parapeito de uma pequena janelinha nas traseiras da casa. Passados uns minutos, uma menina, que não devia ter mais de 6 anos, dirigiu-se a mim, com um sorriso inocente e um olhar genuíno. A menina era pequena e franzina, de pele escura e cabelo encaracolado, cheio de trancinhas.

– Olá – disse-me a menina

– Olá – respondi-lhe

– Mas tu falas? – Disse a menina, muito surpreendida.

– Claro que sim, nós andorinhas, sabemos a linguagem dos humanos, ou pensavas que andávamos para aí a piar toda a hora? Não, só piamos para comunicarmos uns com os outros.

– Está bem. O meu nome é Karyline, mas podes tratar-me por Kary. E o teu?

– Eu sou uma andorinha, Kary, não tenho nome.

– A sério? Sempre pensei que os animais tivessem nomes como nós…

– Não, só os cães e os gatos é que têm. Então, … Karyline? Quantos anos tens?

E a conversa durou horas e horas. A Karyline era mesmo uma menina fantástica…. A partir daquele dia, a Kary esperava-me todas as tardes na pequena janelinha, e eu ia sempre ter com ela, para termos as nossas grandes conversas.

Até que um dia, eu tive de partir de volta para a Dinamarca.

– Mas por que é que tens de ir? Tu és o meu melhor amigo e eu adoro-te!

– Tem de ser, Kary. Também me custa muito, mas os meus dias de emigração acabaram por este ano. Mas eu prometo que muito em breve estarei de novo aqui.

-Prometes? Eu vou esperar todos os dias por ti aqui.

– Prometo. Antes mesmo de tu dares conta, aqui estarei eu, no parapeito da pequena janelinha das traseiras.

Mafalda Alves, 7.º ano

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O Senhor Alberto

   Numa tarde de Outono, as buzinas dos carros soavam barulhentas, deixando Alberto Soares, diretor da empresa “Uarlepule” em Portugal, muito cansado e “stressado”.
Foi para casa, na esperança de descansar um pouco, mas as filas imensas de trânsito nas estradas e os gritos das pessoas a refilar deixavam Alberto muito cansado e preocupado com a sua saúde. Sentia-se mal e deprimido com a escuridão da cidade, e tomou uma decisão.
-Amanhã vou ao consultório do Dr. Pereira, o psicólogo mais conhecido da cidade! – informou Alberto.
Na manhã seguinte, Alberto bateu à porta que ostentava uma linda placa brilhante a dizer “Dr. Borges Pereira”. Entrou, e com indicações do médico deitou-se na marquesa com almofadas aconchegadoras.
Falou com o Dr. Borges aquilo que sentia; tristeza, depressão e cansaço. Na esperança de o ajudar, ele recomendou:
-Devia desfrutar duma vida calma e campestre! Alimentando-se bem, apanhando ar puro e fazendo exercício físico, pois essa “barriguita” não lhe fica nada bem!
-Está bem, vou tentar de tudo para ir para uma horta cultivar! – afirmou Alberto, na esperança de voltar a ter uma vida calma.
-Não se esqueça, vá viver para o campo!!! – lembrou o Doutor.
E assim foi. Alberto comprou uma propriedade, onde disfrutou durante algum tempo das condições que o psicólogo lhe recomendara. Depois com o tempo foi aumentando a área de cultivo. «Porque não?» pensava ele. «Já que isto está a dar…!»
Com o crescimento da horta, o Alberto começou a contratar cada vez mais desempregados para o ajudarem no cultivo dos seus vegetais, até que acabou por desenvolver uma grande empresa exportadora de hortícolas.
Mais tarde chegou a uma conclusão: Todas as pessoas têm um talento, por mais bizarro que seja.
Pelos vistos o talento de Alberto era construir empresas, e voltou à sua «maçadora», irritante, deprimente e triste vida enfiado num escritório.
Catarina Carapinha, 5.º ano

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